155.
A crença na inspiração.
Os artistas têm interesse em que se creia nas intuições repentinas, nas chamadas inspirações; como se a idéia da obra de arte, do poema, o pensamento fundamental de uma filosofia, caísse do céu como um raio de graça. Na verdade, a fantasia do bom artista ou pensador produz continuamente, sejam coisas boas, medíocres ou ruins, mas o seu julgamento, altamente aguçado e exercitado, rejeita, seleciona, combina; como vemos hoje nas anotações de Beethoven, que aos poucos juntou as mais esplêndidas melodias e de certo modo as retirou de múltiplos esboços. Quem separa menos rigorosamente e confia de bom grado na memória imitativa pode se tornar, em certas condições, um grande improvisador; mas a improvisação artística se encontra muito abaixo do pensamento artístico selecionado com seriedade e empenho. Todos os grandes foram grandes trabalhadores, incansáveis não apenas no inventar, mas também no rejeitar, eleger, remodelar e ordenar.
Friedrich Nietzsche. Humano, demasiado humano: um livro para espíritos livres; tradução Paulo Césa de Souza – São Paulo: Companhia das Letras. São Paulo, 2000.







Foda!
pertinente e sem dúvida faz todo sentido.
Refuto a noção de prisão quando se fala em estipular padrões ( sim, é impossivel fugir deles), por mais penoso e áspero que possam parecer.
na verdade encaro o trabalho de seleção, refinamento e combinação, fundamentais para a construção - a palavra é essa - de um sentido maior.
Por outro lado, gosto de pensar que há sim intuição l inspiração. porém diferente da idéia de um evento divino, acredito que se trata do instrumental acumulado pelo sujeito, e baseado nas informações experiências a que foi exposto. isso é reflexão, prática, aprendizado, munheca enfim…
ou não. Ou Parece apenas um alento aos artistas “trabalhadores” e pouco brilhantes, como o que vos fala heheh.
aliás, show foda no cineglória. Parabéns!